Xai-Xai, Moçambique — À medida que as águas das inundações recuam na província de Gaza, no sul de Moçambique, os esforços de recuperação ganham impulso. Apesar das limitações significativas em termos de infraestruturas, equipamentos e serviços especializados, as unidades de saúde que foram danificadas estão a retomar progressivamente as suas atividades para atender as comunidades deslocadas que regressam às suas áreas de origem.
Chuvas intensas e inundações graves começaram em Moçambique em meados de Dezembro de 2025, afectando seis províncias e a cidade de Maputo. A província de Gaza foi a mais impactada e, no auge da emergência, em meados de Janeiro, quase 440 000 pessoas foram afectadas, cerca de 81 000 deslocadas e acomodadas em 45 centros. A 22 de Fevereiro, 15 centros de alojamento continuavam operacionais, acolhendo aproximadamente 19 000 pessoas nos distritos severamente afectados.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) apoiou a coordenação entre os parceiros, reforçou a vigilância de doenças e a verificação laboratorial, distribuiu e facilitou a entrega de medicamentos essenciais e apoiou infraestruturas temporárias para sustentar os serviços de saúde durante a fase de emergência.
Como muitas outras pessoas, Mazuze chegou com poucos pertences e sem saber quando poderia regressar a casa. Poucos dias depois de se instalar no centro, começou a sentir-se mal.
«Fiquei com febre. Fui aqui ao posto de saúde, recebi tratamento e senti-me melhor», conta Mazuze. «Agora, o meu único desafio é a fadiga que sinto por ter de limpar o mato e a areia à volta da minha casa.»
A superlotação, a ventilação limitada e a exposição a condições meteorológicas adversas contribuíram para o aumento do número de problemas respiratórios.
Os postos de saúde no local prestam cuidados ambulatórios, serviços de saúde materno-infantil, vacinação, farmácia e apoio laboratorial básico. Tais serviços têm sido fundamentais para garantir o tratamento precoce e prevenir complicações.
O Hospital Rural de Chokwé, centro de referência para a área norte da província de Gaza, ficou completamente inundado e permaneceu fechado por 23 dias. Embora os serviços de emergência, maternidade e farmácia tenham sido retomados, outras unidades essenciais continuam fechadas devido a danos em equipamentos dos departamentos de laboratório, cirurgia, quimioterapia e banco de sangue. O único aparelho de radiologia sofisticado da província foi severamente danificado, apesar dos esforços frustrados para removê-lo antes das enchentes.
As águas das inundações alagaram cinco armazéns de medicamentos e material médico-cirúrgico na província, interrompendo a disponibilidade de stocks. O Depósito Provincial de Medicamentos rapidamente mobilizou suprimentos para os distritos afectados e centros de acomodação usando meios de transporte alternativos, incluindo barcos e aviões, uma vez que várias estradas estavam intransitáveis e os distritos isolados. Estas medidas permitiram restaurar a cadeia de abastecimento, que é fundamental para estabilizar a resposta de emergência em saúde.
«Podemos classificar a nossa situação sanitária como preocupante e além do que a província está habituada. As inundações tiveram um impacto direto tanto na população como nos nossos serviços de saúde», afirma Sérgio João, médico-chefe provincial. «A presença atempada da OMS fez uma diferença significativa, trazendo conhecimentos especializados em resposta a emergências e apoio logístico que permitiram às nossas equipas chegar mais rapidamente aos distritos afectados e aos centros de acolhimento.»
«Para além da logística, a nossa prioridade tem sido a coordenação e a detecção precoce. Através do cluster de saúde e de sistemas de vigilância reforçados, incluindo relatórios digitais diários de mais de 160 unidades de saúde, estamos a apoiar a deteção atempada de doenças prioritárias e a garantir que os esforços de recuperação são alinhados, responsivos e focados na prevenção de surtos secundários», afirma a Dra. Isabel João, oficial técnica da OMS destacada para Gaza.
Uma coordenação sustentada, infraestruturas resilientes e sistemas sólidos de vigilância de doenças serão essenciais para salvaguardar a saúde e proteger as comunidades em Gaza de futuros choques.
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